domingo, 10 de Janeiro de 2010

Paloma Faith




Paloma Faith é uma cantora nascida em Hackney (Londres), que tem vindo a coleccionar elogios em 2009.

As suas canções transpiram soul, apoiadas pelo poderoso e colorido carimbo da sua personalidade idiossincrática. Influenciada pela música, literatura, arte e cinema, Paloma é uma artista no verdadeiro sentido da palavra, que fará ressonância numa vasta audiência.

Tal como a sua música, a história de Faith é, no mínimo, entusiasmante. No percurso para se tornar cantora, foi assistente de mágico, bailarina de dança contemporânea com formação, performer de espectáculos burlescos e actriz (participação em 'St Trinians' e o filme de Terry Gilliam "The Imaginarium of Dr Parnassus"), tendo ainda tirado um curso de direcção teatral.

Paloma escreveu o seu álbum de estreia no Reino Unido, Suécia e E.U.A., mas gravou-o em Londres. O álbum «Do You Want The Truth Or Something Beautiful?» contou com a colaboração (na escrita) de Ed Harcourt, Jodi Marr, Greg Kurstin, Steve Robson e Jorgen Elofsson. (destak.pt)


É bom termos consciência que há caminhos mais fácies de percorrer, cabe a cada um a difícil tarefa de preferir os menos aparentes e os mais seguros e genuínos, revestidos de verdade.

Até podemos iludir os outros mas o nosso coração nunca se induz em erro quanto a nós, pois é o nosso maior observador.
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luísa ribas

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

... em 2009:

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- a Trix completou doces.........8 anos

- a Maria, o seu puro …....….....1 aninho

- a Ísa fez as suas lindas…....36 luas

- eu, os meus maduros…......50 rsrs...

- hoje, fazemos bodas…….…...2 anos casados

- já nasceram na Mariinha…...3 dentinhos até agora

- quadros de mérito da Trix...3 até agora

- desentendemo-nos aqui....15 vezes até agora... rsrs

- fizemos as pazes…………..…15 vezes até agora... rsrs

- demos entre nós………..….500 abraços

- trocámos......................700 beijos

- razões de amarmo-nos,.677, são as que temos até agora.
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Essa nossa conta dá 2010 e vamos saborear

e partilhar convosco o resultado com uma receita

já tradicional aqui em casa: a do pão-de-love.


A todos um Feliz Natalove e um

..maravilhoso Ano Love para o nosso 2010!
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mariinha, trix, ísa&renato

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segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

amor d'aço


tapo a boca
do tempo voraz
com o linho branco
dos sentimentos de luz
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renato ribas
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quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

1 ano-luz!


Quarenta e nove anos eu te esperei*, meu doce. Não sabia por onde andavas esse tempo todo mas, encontrei-te bem dentro da tua mãe. A metadinha de ti que dormia em mim, juntou com a metadinha que dormia na tua mãezinha... e pronto. Vieste ter connosco passados quinze minutos das cinco da tarde. Era Novembro de dois mil e oito e o dia, doze. Mais cedo, nesse mesmo dia, sem saber da tua marotisse de querer aparecer um pouco antes do dia esperado, a mãezinha arranjara os cabelos... estava linda e radiante. Então saímos para comprar prendas. E não é que, pelas tantas, deste o ar da graça a querer participar do passeio! És assim até hoje, meu amor... quando quer, queres. Quando te vi ao vivo no mundo exterior, eras um tufinho de cabelos molhados que em poucos segundos voou de corpo e alma para a vida. Sim, voou. Passou pela primeira enfermeira, sem parar-lhe nas mãos amedrontadas pela tua presença... em voo livre... escorregadia, foste agarrada pela segunda guarda-redes, que estava de pé e mais atenta à tua velocidade. Jorrou vida para todo lado e a sala ficou todinha cheia de ti. Passado um ano... o teu primeiro ano confirma que essa é mesmo a tua maneira, minha Maria, e que naturalmente enches e completas de ti a todos quantos depares e a todos os lugares por onde tens estado. E que cantar e bater palminhas e dançar e acenar a quem quer que vejas é o teu pré-idioma a ser traduzido brevemente por palavras de alegria e amor. Segue assim, filha do amor, resuminho desse par de amor em tempo real. Partilha esse amor com a tua irmã Trix e combina com ela como vão fazer para contar essa história aos vossos filhos, aos netos e para que eles amem contar e perpetuar aquilo que já começou sem fim: o amor de uma mulher forte, doce e meiga por um homem que atravessou o mar porque descobriu e acreditou que nada mais faria sentido se não o fizesse.
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renato ribas.
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*(essa teoria é da Trix. Ela acredita - do alto dos seus oito anos - que o soldadinho que participou da produção da Mariinha, digamos assim... rsrs... ficou quarenta e nove anos à espera de sair e ser feliz!)
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quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Filarmónica Gil


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Filarmónica Gil reúne nomes grandes da musica portuguesa. João Gil, compositor notável (Trovante, Ala dos Namorados, Rio Grande e Cabeças no Ar), Rui Costa, músico de enorme talento (ex-Silence 4) e Nuno Norte, um cantor possuidor de uma voz diferente, que venceu a primeira edição dos Ídolos.


O disco de estreia, homónimo, foi editado em 2005 tendo sido o primeiro resultado de um projecto que fala das vivências e das emoções da vida quotidiana. 'Deixa-te Ficar na Minha Casa' foi o single de apresentação do registo. (Nuno Príncipe)

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Tu, no meu coração e eu... no teu.

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“Não existem erros. Os acontecimentos que atraímos a nós, por mais desagradáveis que sejam, são necessários para aprendermos o que necessitamos de aprender. Todos os passos que damos são necessários para chegarmos aonde escolhemos chegar.” Richard Bach in A Ponte para a Eternidade

Escrever sobre a amizade não é uma dificuldade, é um desafio. Há quem pense que hoje em dia não é possível ter amigos de verdade. Pelas mais diversas razões podemos pensar que a amizade verdadeira não existe, pois apesar de ser um sentimento belo tem um mecanismo difícil de desvendar que habita o emocional e reveste-se de afinidades ou não.

Quando podemos definir alguém como amigo? Será que temos medo de ser amigos?


Depois de atender alguns princípios obteremos a resposta. Começando pela eloquente frase de Saint-Exupéry: "Tu tornaste eternamente responsável por aquilo que cativas", logo, se cativamos um amigo, então somos responsáveis por essa amizade. Mas, de que maneira cultivá-la e cuidá-la como algo de real valor na nossa vida?

O coração é sem dúvida a melhor metáfora de veículo, que liga as duas almas, numa entrega sem desconfianças, sem manipular ou ser manipulado, nos bons e nos maus momentos. E nem sempre sabemos retribuir as atenções e o carinho recebidos, com a mesma dedicação, dando lentamente o nosso ser para perceber se o valor da entrega é recíproco. Leva o seu tempo para saber se a amizade é sincera.

Por vezes cremos ser amizade, uma das mais duras falsidades: o interesse por usar e manipular o nosso "querer a amizade". Essa, jamais tornar-se-á amizade. Porém, se vive, sofre, acode e alberga como amizade e é desgastante. É, à descoberta, triste. Feio. Ocupou a emoção, o tempo e o lugar de uma amizade e não era.

Na verdade, a amizade é um milagre. Podemos não saber quando começou ou como aconteceu, mas quando existe traz alegria. Queremos sempre que seja verdadeira.

Ainda que as circunstâncias da vida originem algum afastamento, se o sentimento é puro, perdurará no tempo. Afinal, a real amizade é uma estrada de dois sentidos. Tem duas mãos.

Segundo Dalai Lama "Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um chama-se Ontem e o outro Amanhã. Portanto, hoje é dia de acreditar na amizade e ter o prazer de ser um bom amigo.


luísa ribas
foto de Nonato Albuquerque
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terça-feira, 25 de Agosto de 2009

A alma feita música



O grupo Dead Can Dance consiste essencialmente num duo composto por Lisa Gerrard e Brendan Perry, dois australianos, ambos de origem anglo-irlandesa, que no início dos anos 80 se juntaram para dar origem a um dos agrupamentos musicais mais emblemáticos da música alternativa do final do século XX. Colheram e reiventaram influências da folk, da pop, da música antiga e tradicional dos quatro cantos do mundo. Mudaram o panorâma da música alternativa feita no velho continente.
E realmente é impossível catalogar a música produzida pelos Dead Can Dance, a não ser como alternativa, o que é sempre um pouco vago, tal não é a quantidade de influências que desfilaram ao longo de 17 anos de carreira, 8 discos de originais intemporais e inúmeras colaborações com outros artistas.
Elementos típicos da música pop, folk, música medieval, música de origem árabe, misturam-se constantemente com ritmos tribais, ou com música de câmara, de modo a criar ambientes únicos, plenos de espritualidade, plenos de alma. E é precisamente na busca da alma escondida em cada instrumento musical que se inspira o nome do grupo. Como diz Brendan Perry, "o significado por detrás do nome tem a ver com a procura da vida inerente aos instrumentos musicais, que por si só são objectos inanimados, mortos". (in attambur/outros sons)

Apreciem uma das minhas bandas preferidas, no tema Sanvean, onde Lisa, na plenitude da sua voz, de timbre robusto e vigoroso, canta a saudade que sente dos seus mais queridos. É uma composição absolutamente genial e emocionante.

luísa ribas
foto de Ari Stein

domingo, 9 de Agosto de 2009

Transilvânia? Não: transmundana!



O horizonte que tem sido assim, Dourado, o tem sido algures cá deste lado do Douro - ainda que a tartamudearmos pela sova do revés - porque lutamos. A luta doce do amor de fazer seguir o que trava... de erguer o que cai... fazer ver, ao cego de agonia... abrandar o que esfola... secar lágrimas com os lábios e molhá-los, com beijos de bradar a Eros.

Acções-sem-fim e... seguimos em frente. Vamos, nómades da necessidade.

O passado, que se foi duma vez, deixou a sensação de alívio e fez aprender (ou consagrar) que somos mais fortes do que os vampiros*. Mesmo aqueles que acreditam poder danar, por viver à beira de quem tem amor: nem mar, nem rio. Nem sal, nem doce... nascente ou foz.

Agora vemos luz, mais luz no horizonte. Vemos mais o Dourado.


texto e pintura: renato ribas

*sim, vampiros: aqueles seres (não quirópteros) que sugam a vitalidade doutrem.

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Delicioso, mesmo com furos...

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Aqui, na terra do edelweiss, relembro os momentos coleccionados durante três anos. De sentidos apurados, passeio pelas cidades. O encontro com os amigos, as ruas, as montanhas, os restaurantes, as universidades, o festival de Jazz, o queijo (mesmo com furos), o caffée au lait, a casa onde morei, o escritório onde trabalhei. Parece que saí daqui na semana passada rumo ao meu Porto de abrigo. Fribourg está constante, no tamanho e no tempo. Nesta altura não há neve, há emoções fortes, encontros culturais ansiados e arquivados no pensamento.

Nesta caminhada sinto um futuro à espera. Um regresso, quiçá. Afinal a Suiça pode não parecer, mas é um pouco mais que Porto de Abrigo...eu diria que tem a temperatura e textura ideias para desenvolver a lavoura familiar.

luísa ribas

foto Fribourg de Patrick Henchoz

quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Jardim espiritual

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"A consciência de uma planta no meio do Inverno não está voltada para o Verão que passou, mas para a Primavera que irá chegar. A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos que virão. Se as plantas estão certas de que a Primavera virá, porque é que nós - humanos - não acreditamos que um dia seremos capazes de atingir tudo o que queremos?" (Kahlil Gibran)

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Eis a vitamina essencial à linha do prosseguir. Regar e afagar flores é e sempre será, forma plena de estar na vida. Benditos jardineiros, tão sábios nos seus dias de cuidar com magia bens maiores. Haverá lugar mais apetecível do que um simples jardim harmonioso? Verde, fértil, povoado de vitaminas primordiais ao bem estar do corpo e da mente.
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Primordial seria fazermos da nossa casa, um oásis tal e qual. Com as mãos cultivar as peças da paisagem desejada, com o olhar da alma contemplar o trabalho realizado com amor. Saborear a tranquilidade conquistada e depois ser visitado, sem convite, por seres alados, pequeninos e tão imensos na sua longitude de ser. Pequenos tesouros, brisas, suspiros frágeis e no entanto inigualáveis fortalezas vivas. Incentivos à vida, pedaços de infinito.
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Em suma, dizer sim à vida.
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luísa ribas

(Dedico estas palavras ao meu querido amigo Erwin Maack...mais conhecido por Djabal, precisamente por ser um desses seres alados).

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sábado, 13 de Junho de 2009

ser ininterrupto

A página em branco, a ser desvelada, mais que um desafio é um lembrete. Da calma, de alguma introspecção… paz. Esperança.

O vazio de ser, tão desesperadamente preenchido pela ilusão de ter, confunde-se com a falta de esperança. Confunde-se a esperança com a pobreza. Confunde-se a pobreza com a falta de posses.

Somos ricos de não ser. Pobres, de pensar a infinitude do poder e do jugo dos que têm algo mensurável contra os que frutificam o branco de sermos divinos. Limpos. Puros.

A página em branco pode ser tomada como a manifestação do Perene. Depois de limpo o excesso de não ser, pode ela ser a exacta abstracção da existência de Deus.


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renato ribas

sábado, 6 de Junho de 2009

Meio século



tal e qual, o poeta dos meus sonhos
a manusear com primor
uma paleta recheada de palavras
vestidas do mais puro luzir

até a cor dos teus cabelos tem uma lógica
inerente ao passar dos dias, com paciência
(dom do equilíbrio)
desejo de chegar ao bom porto do tempo

no privilégio de viver agora, a flor da tua vida
que faz da minha, jardim onírico real
rebento de teu programa existencial
só conheces uma palavra:

amor

realizada com devoção, sem temor
no âmago da segurança que te abraça

dono da tranquilidade viçosa
estás no auge da tua forma de ser, eloquente
és a planta, que sabe esperar pela Primavera
em semente de paz, que trazes na alma

não vives cada dia como se fosse o último
antes como se fosse o primeiro
com a mesma vitalidade interior
que trazias no dia em que vieste ao mundo

e assim manténs a chama de bem saber contar idade
a meu lado, por todas as veredas da eternidade
(parabéns, meu amor)

luísa ribas


foto: prenda de aniversário do meu amor

sexta-feira, 29 de Maio de 2009

gratidão e recomeço sem fim


resposta à carta da minha Luísa
[tenho percebido mais claramente à cada era]
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minha pouca leira / charneca de desviver almas em par
medrou ser quinta quanto ousou revolver sua terra seca
limpar-lhe as sobras tóxicas do bem-querer e nada ser
mas, a acreditar que sou algo / insistir crer em floradas
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ir-me d'algum lugar a lugar algum... passou e não volta
ficou no tempo / encaixou-se... e petrificou na memória
é menos que história / escória dos maus tratos / factos
faltava ar, faltava luz, faltava água / faltava semeadura
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ora corro a orar e agradecer sem dúvida a dádiva divina
jorro a chorar e a entregar meus pedaços / recuperados
mesmo os que haviam apodrecido / vão tornando à vida
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talvez não viva o tanto que necessita o meu corpo de ti
ainda assim é / por sempre ter sido / infinito esse amor
porque te reconheço e a minha vida é tua / minha Luísa
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renato
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sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Vida é sonho

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É com grande alegria que partilhamos com todos esta maravilha. Música de Alice Belém e Renato Torres, interpretada pelo próprio compositor e pela cantora Juliana Sinimbú.

Juliana Sinimbú é brasileira, do Pará. Dona de uma voz cristalina e envolvente, encanta com as suas veredas pela Bossa Nova e pelo samba, trazendo à lembrança a canção popular, renovada.

Renato Torres...é o nosso amigo dos não-lugares. Renato Torres, o poeta, o músico. Aquele que canta os laços cordiais das palavras: amizade, amor, vida...! E já somos amigos há tanto tempo, vivemos momentos ímpares na troca de sentimentos sinceros, através da poesia.

Renasce nos seus versos cadenciados, filhos de sua alma etérea e pura. Um verdadeiro artista. Líquido, que corre nas veias poéticas da vida. Fonema. Livre. As suas palavras rimam com o sexto sentido. São constituintes e movem-se com facilidade, têm volume próprio.

Apreciem Vida é sonho


Nota: Não se esqueçam de desligar a "nossa música" aqui no blog, para não misturar os dois sons.
Foto de Renato Torres de Ana Flor / Foto de Juliana Sinimbú de Renato Reis

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Carta de amor

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Como se o amor fosse um pássaro a flutuar nos céus azuis da felicidade encontrada e nada mais a não ser um grande amor que voa livre e desmedido e insondável.

Acordar é desejar não mais adormecer, senão nas tuas asas de pleno vento e suspirar contigo ser âmbar nos portais da próxima vida.

As palavras que entrego nas tuas mãos abertas, têm o ritmo das ondas do mar, não são salgadas, são antes impacientes como as flores no primeiro dia de primavera.

A cada rumo lento do teu olhar, na face que deslumbro tal qual milagre incandescente, feliz e doce, uma mensagem digna das linguagens mais subtis, inerentes às eternas e sublimes confidências dos amantes.

Definitivamente existe o amor, na singular matéria que respiramos entre o espaço, o tempo e o brilho das coisas simples - o alívio isolado do casal.

Para quê invocar lugares comuns, quando desta sede indefinível retiro a beleza do espírito, que prolonga as manhãs mais limpas e as transforma em recanto eterno.

É assim que te amo.
luísa ribas

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Os dois vasos

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Gostaríamos de partilhar com todos, este texto de Franz König, cardeal católico austríaco, arcebispo de Viena, um dos principais teólogos do Concílio vaticano II.

"As minhas viagens levaram-me muitas vezes a países cujos governos dificultavam ou acabavam mesmo com as aulas de religião.

Numa dessas viagens, encontrando-me numa grande cidade, passei junto a uma escola primária. Entre os meus acompanhantes, encontrava-se um jovem professor. Parou em frente à escola e apontou para uma janela no primeiro andar.

— Está a ver aqueles dois vasos atrás dos vidros?

— Sim — disse eu.

— Têm uma triste história — continuou ele. — Eu vivi-a, ainda há pouco tempo, como estagiário naquela sala. Estava sentado na última fila e presenciei tudo.

— Conte!


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“Um dia, a professora chegou à sala e disse:

— Vejam, meninos, o que vos trouxe!

Eram dois vasos, um saco com terra para jardim, um regador pequeno e um punhado de ervilhas.

— Vamos semear ervilhas! — exclamaram as crianças.

— E vê-las crescer — disse a professora.

As crianças encheram os dois vasos com terra e a professora mostrou-lhes a que profundidade e a que distância se deviam enterrar as ervilhas. Com os dedos, as crianças fizeram buracos na terra com cerca de cinco centímetros de profundidade, onde meteram as ervilhas. Quatro ou cinco por vaso.

— Este vaso aqui — disse a professora — é o nosso vaso. E nós vamos cuidar dele.

Em seguida apontou para o outro vaso.

— Deste, é Deus quem vai cuidar.

O vaso que era de Deus foi posto à janela.

— Pronto — disse a professora. — Vamos começar a cuidar do nosso vaso. As ervilhas já estão na terra. O que temos de fazer em seguida?

— De regar! — gritaram as crianças.

Regaram bem a terra. O vaso de Deus não foi regado.

Ficaram então os dois vasos no parapeito, um ao lado do outro, o da terra húmida e o da terra seca.

Todos os dias de manhã, as crianças tocavam na terra com a ponta dos dedos para ver se estava suficientemente húmida. A terra no outro vaso começou a secar e a ficar cheia de gretas.As crianças rejubilaram quando, no seu vaso, se começaram a ver os primeiros rebentos verdes esbranquiçados.

— Estou muito contente, meninos — disse a professora.

— Vocês cuidaram muito bem do nosso vaso. E como está o outro?

No outro vaso não acontecia nada. As gretas alargaram-se, a terra secava cada vez mais.

— É Deus que não trata dele… — disse uma criança.

— Se Deus existir, vai cuidar dele — disse a professora. — Devia fazê-lo e depressa!

As ervilhas nos vasos das crianças, cresciam cada vez mais, já tinham gavinhas e folhas tenras. As crianças regavam o seu vaso todos os dias. As pequeninas plantas tinham luz e ar. Em breve foi preciso pôr-se estacas para as gavinhas se agarrarem.

Nas aulas de desenho, desenhavam os dois vasos. A professora mostrava-lhes a melhor forma de misturar as cores para conseguirem reproduzir no papel aquele tom de verde fresco.

— Que feio está o outro vaso — diziam as crianças. Também o pintavam, mas sem entusiasmo.

— Muito feio — anuía a professora. — Acham que devemos esperar mais um pouco e dar a Deus outra oportunidade para cuidar do Seu vaso?

— Eu acho que desse vaso já não vai nascer nada.

— Vamos deixá-lo ficar mais um tempo — disse uma outra criança.

Um dia, as crianças descobriram as primeiras flores nas suas ervilhas. Estavam assombradas e ficaram a admirar as cheirosas florinhas em forma de barco, com nervuras frágeis como teias de aranha.

— Maravilhosas, não são? — disse a professora. — Se vocês continuarem a ser uns jardineiros cuidadosos e tratarem do vosso vaso, vão ver como, das flores, vão nascer vagens.

Abriram-se dezassete flores de ervilha no vaso das crianças.

O outro vaso lá continuava com a terra gretada e dura como pedra.

— Que pena! — diziam as crianças. — Se nós tivéssemos tratado dele, agora também teria plantas e flores.

— Vocês têm razão — disse a professora.


*


— E foi assim — terminou o jovem. — A professora não precisou de dizer mais nada às crianças. Para elas, tudo tinha ficado claro: Deus não existia, se não, teria cuidado do seu vaso.
Naquele momento, o portão da escola abriu-se e as crianças saíram a correr. Seguimo-las com os olhos. Gostava de ir ter com elas e de lhes dizer: — Meninos, essa história dos dois vasos não é verdadeira.

— Talvez — disse eu aos meus acompanhantes — talvez em casa as crianças falem dos vasos de ervilhas. E esperemos que haja um pai, uma mãe, um avô, alguém que lhes pergunte: E de onde receberam a terra? De onde vem a água, a luz, o ar para as vossas ervilhas? De onde vieram as ervilhas que meteram na terra? De onde vem a alegria com que fazem esse trabalho? Deus dá aos homens a força, a capacidade e a alegria necessárias para serem jardineiros. Deus quer que o homem seja o jardineiro. Assim é que a Terra se torna bela para todos nós.


Franz König
Lene Mayer-Skumanz (org.)
Hoffentlich bald
Wien, Herder Verlag, 1986
tradução e adaptação
foto de omeuquintal.blogspot
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quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Com tacto, tecto.


Acordar com o chamadinho da Maria é algo assim como continuar no sonho bom. Se bem que melhor: é real.

Ela com todos os seus cinco meses (!) sabe exactamente quais sons fazer para nos arrancar da cama. E ao chegarmos ao pé do bercinho ela - sempre, todas as manhãs - nos recebe com um sorriso maroto de quem conseguiu o seu intento. A esfregar os olhinhos... abanar as mãozinhas e a experimentar que os olhos fiquem abertos e mais abertos... entremeados de piscadas muito looooongas de preguiçinha.

Tirar-lhe das cobertas pequeninas e sentir-lhe o corpinho quente, macio e cheiroso, dos cuidados com o toque de mãe, só se iguala em emoção aos momentos que sucedem nas manhãs, protagonizados pela irmã, Trix, veterana com oito anos de praia. Beatriz, a princesa do hip-hop!

Matreira, também tem lá as suas maneiras de nos tirar da cama ou de nos meter na dela, Sotora em pequenas histórias de dor nos pés, sonhos com personagens do Harry Potter ou qualquer outra boa razão. Ah! chamar a mãe para ir-se deitar um bocadinho com ela, também vale.

A verdade é que ir ter com a Trix para acordar-lhe é ver, invariavelmente, uma pintura renascentista de bochechinhas cor-de-rosa, cabelos longos, lisos e brilhantes a fazerem remoinhos desde os sonhos da noite, para além de toda cheirosa e macia do banho antes do pijaminha. Mas, o máximo, é a marotisse de fingir que ainda dorme. É de partir o coco!

Umas atrás das outras... essas manhãs nunca são iguais. Umas atrás das outras, são as nossas manhãs inesquecíveis.

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domingo, 3 de Maio de 2009

Dia da mãe


Hoje comemora-se o dia da mãe. Ao acordar fui presenteada com este postal que partilho convosco. A minha linda filha Beatriz, que conta oito anos fê-lo especialmente para mim. Da minha filha mais pequena, a doce Maria (cinco meses), recebi sorrisos. Do marido lindo (por dentro e por fora) recebi um pequeno-almoço preparado com amor: "o que fazer num só dia, para quem é mãe todos os dias?"


Há felicidade no ar (mesmo com todas as vicissitudes da vida)! Feliz dia da mãe, para todos!

quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Desenhar em vez de desdenhar

Vejo desenhos por toda parte. Encontro animais no mármore, pessoas e lugares no granito.
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Fissuras são rostos, são pernas, olhos, braços e tudo o mais que calhar. Ou tudo quanto construir figuras. Cenas.
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E se essa é uma forma de ver o futuro? Ou o passado! Pode até ser essa uma forma de se fazer amigos, descobrir coisas.
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Queria mesmo é encontrar a decência de uma quantidade expressiva de políticos e de banqueiros, para citar dois exemplos. Ambos carreiristas (carteiristas?!). Sim, pois que tão duras são as figuras das suas caras, que bem podiam ter-se originado d'algum sítio de pedra.
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A despeito de lhes encontrar a origem, eles ilustram os meus, os nossos dias. Ilustres, eles se encarregam de dar o tom das nossas vidas. Segundo o que lhes convém. Um, mestre do escambo. Outro, não mostra o mosto, impede o escambo e finge ser antípoda do primeiro. Complicado?
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Tais cromos, devem ter sido crianças. Mas, o que verdadeiramente fazem por e para elas? Também devem ter tido mãe, pai. Família de alguma espécie. Mas, o que fazem verdadeiramente por ela.
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Será que a fome... a fome de verdade, a que mata... será que a fome os demove de reger os nossos dias? E a sujeira? Aquela advinda da ausência de pensar além da preservação dos seus territórios institucionais.
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Em pequeno, eu via bichos nas nuvens e até hoje luto contra o meu próprio endurecimento para os continuar a ver, tanto quanto as imagens que as descubro nas pedras, pisos e bancas.
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Deus queira que banqueiros, políticos, empresários e outros donos de nós, permitam que as minhas filhas vejam as nuvens e as pedras. Com ou sem bichos.

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A ilustração foi obtida do piso aqui da nossa cozinha. A Ísa tava grávida... a Trix, brincava... como criança.

terça-feira, 21 de Abril de 2009

Donna Maria

Em espírito, os Donna Maria nasceram há vários anos, nos bares de Lisboa em que Marisa Pinto (voz), Miguel Ângelo Majer (bateria, sampler, voz e programações) e Ricardo Santos (teclados) tocavam versões de temas conhecidos.

Para o baptismo do novo grupo, Marisa, Miguel e Ricardo pensaram no nome de uma mulher tipicamente lusitana. Maria surgiu com naturalidade, o Donna com dois "nn" foi mesmo um erro de tipografia.

A música dos Donna Maria, mistura a música popular portuguesa com a electrónica, não desprezando também sonoridades mais latinas. O brasileiro Paulinho Moska é um dos convidados especiais do seu trabalho. (in cotonete.clix.pt).

Apreciem Há amores assim.